Visão cristã
   Ele curou nosso olhar: nós vimos a sua glória!

O Verbo só pode ser visto com o coração, ao passo que a carne pode ser vista também com os olhos corporais. Éramos capazes de ver a carne, mas não éramos capazes de ver o Verbo. Por isso, o Verbo se fez carne que nós podemos ver, para curar em nós o que nos torna capazes de vê-lo!

 

(Santo Agostinho)

 



Escrito por Pe. Henrique às 15h54
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   A Vida se manifestou!

 A Vida se manifestou na carne, para que, nesta manifestação, aquilo que só o coração podia ver, fosse visto também com os olhos, e desta forma curasse os corações.

(Santo Agostinho)

 



Escrito por Pe. Henrique às 15h47
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   Leituras para a Festa da Sagrada Família

Leitura do Livro do Eclesiástico (Eclo 3,3-7.14-17a)
3Deus honra o pai nos filhos e confirma, sobre eles, a autoridade da mãe. 4Quem honra o seu pai, alcança o perdão dos pecados; evita cometê-los e será ouvido na oração cotidiana. 5Quem respeita a sua mãe é como alguém que ajunta tesouros. 6Quem honra o seu pai, terá alegria com seus próprios filhos; e, no dia em que orar, será atendido. 7Quem respeita o seu pai, terá vida longa, e quem obedece ao pai é o consolo da sua mãe. 14Meu filho, ampara o teu pai na velhice e não lhe causes desgosto enquanto ele vive. 15Mesmo que ele esteja perdendo a lucidez, procura ser compreensivo para com ele; não o humilhes, em nenhum dos dias de sua vida: a caridade feita ao teu pai não será esquecida, 16mas servirá para reparar os teus pecados 17ae, na justiça, será para tua edificação.

Salmo responsorial (Sl 127)
Felizes os que temem o Senhor
e trilham seus caminhos!

Feliz és tu, se temes o Senhor
e trilhas seus caminhos!
Do trabalho de tuas mãos hás de viver,
serás feliz, tudo irá bem!

A tua esposa é uma videira bem fecunda
no coração da tua casa;
os teus filhos são rebentos de oliveira
ao redor de tua mesa.

Será assim abençoado todo homem
que teme o Senhor.
O Senhor te abençoe de Sião,
cada dia de tua vida.

Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses (Cl 3,12-21)
Irmãos: 12Vós sois amados por Deus, sois os seus santos eleitos. Por isso, revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência, 13suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se um tiver queixa contra o outro. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai vós também.
14Mas, sobretudo, amai-vos uns aos outros, pois o amor é o vínculo da perfeição.
15Que a paz reine em vossos corações, à qual fostes chamados como membros de um só corpo. E sede agradecidos. 16Que a palavra de Cristo, com toda a sua riqueza, habite em vós. Ensinai e admoestai-vos uns aos outros com toda a sabedoria. Do fundo dos vossos corações, cantai a Deus salmos, hinos e cânticos espirituais, em ação de graças. 17Tudo o que fizerdes, em palavras ou obras, seja feito em nome do Senhor Jesus Cristo. Por meio dele dai graças a Deus, o Pai.
18Esposas, sede solícitas para com vossos maridos, como convém, no Senhor. 19Maridos, amai vossas esposas e não sejais grosseiros com elas. 20Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois isso é bom e correto no Senhor. 21Pais, não intimideis os vossos filhos, para que eles não desanimem.

Aleluia, aleluia, aleluia! (Cl 3,15a.16a)
Que a paz de Cristo reine em vossos corações
E ricamente habite em vós sua palavra!

Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas. (Lc 2,22-40)
22Quando se completaram os dias para a purificação da mãe e do filho, conforme a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor. 23Conforme está escrito na Lei do Senhor: "Todo primogênito do sexo masculino deve ser consagrado ao Senhor". 24Foram também oferecer o sacrifício - um par de rolas ou dois pombinhos - como está ordenado na Lei do Senhor.
25Em Jerusalém, havia um homem chamado Simeão, o qual era justo e piedoso, e esperava a consolação do povo de Israel. O Espírito Santo estava com ele 26e lhe havia anunciado que não morreria antes de ver o Messias que vem do Senhor.
27Movido pelo Espírito, Simeão foi ao Templo. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para cumprir o que a Lei ordenava, 28Simeão tomou o menino nos braços e bendisse a Deus: 29"Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; 30porque meus olhos viram a tua salvação, 31que preparaste diante de todos os povos: 32luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel".
33O pai e a mãe de Jesus estavam admirados com o que diziam a respeito dele.
34Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: "Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. 35Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma".
36Havia também uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada; quando jovem, tinha sido casada e vivera sete anos com o marido. 37Depois ficara viúva, e agora já estava com oitenta e quatro anos. Não saía do Templo, dia e noite servindo a Deus com jejuns e orações. 38Ana chegou nesse momento e pôs-se a louvar a Deus e a falar do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém.
39Depois de cumprirem tudo, conforme a Lei do Senhor, voltaram à Galiléia, para Nazaré, sua cidade.
40O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele.



Escrito por Pe. Henrique às 23h07
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   Estudo bíblico-catequético para a Sagrada Família

1. Estamos ainda em pleno Natal, dentro da Oitava. A Festa de hoje tem um sentido rico:
=> Mostra o realismo da Encarnação: o Filho realmente assumiu a existência humana, entrando na miúda vida familiar do dia-a-dia. Ali cresceu, formou-se, foi educado. Leia e medite Lc 2,51-52.
=> Mostra-nos o modo de Deus agir: no que é pequeno, aparentemente sem importância. Aí a salvação acontece porque aí ele vem ao nosso encontro.
=> Assumindo a vida familiar, Deus santifica a família! A família não é uma instituição meramente humana: é uma realidade querida por Deus. Leia Gn 1,27-28; 2,18-24. Leia a segunda leitura da Missa. O cristão tem o dever sagrado de opor-se radicalmente a tudo quanto destrua, desrespeite e dessacralize a vida familiar!

2. O Eclesiástico e a segunda leitura mostram o quanto a vida familiar deve ser vivida na fé:
=> As relações familiares não podem ser vividas de modo meramente terra-terra: o amor providente de Deus reuniu esposo e esposa, pais e filhos e irmãos com irmãos.
=> Por isso as relações familiares devem ser vividas no respeito e na caridade recíproca, cada um no seu próprio papel no seio da família.
=> Releia as duas leituras e o salmo e observe as idéias e sentimentos que daí emergem.
=> Na segunda leitura, São Paulo fala da relação entre os cristãos e, em seguida, fala da família. Que significa isto? Que a família cristã é uma pequena comunidade de cristãos, a primeira Igreja, a Igreja doméstica!

3. Para refletir:
=> Minha família é um espaço de fé, comunhão e humanização? Minha família é uma comunidade ou uma república na qual apenas se moram juntos...
=> Temos nos encontrado para rezar juntos e conversar sobre a vida, ao menos aos domingos? O domingo é o dia da família cristã, da convivência fraterna, do estar juntos no diálogo e no descanso.
=> Na minha família há diálogo? Que papel tenho tido?
=> Se você é pai e mãe, tem educado seus filhos na fé? Se é filho, tem respeita seus pais e sido aberto para o diálogo com eles e para a educação que eles lhe dão?
=> Como sua família tem usado os meios de comunicação?

4. O Evangelho nos mostra a família de Nazaré com os problemas de nossas famílias:
=> Começa em graves crises e apertos. Identifique tais crises lendo Mt 1,125; 2,13-23; Lc 1,26-38; 2,1-7; 2,33-35; 2,41-50.
=> Observe como a família de Nazaré supera as dificuldades com a fé em Deus e o abandono nas suas mãos. É a vida com Deus o esteio da vida familiar; sem isto, ela naufraga nas dificuldades! 

5. Eis o que diz o Compêndio do Catecismo:
456.
Qual é a natureza da família no plano de Deus?
Um homem e uma mulher, unidos em matrimônio, formam com os filhos uma família. Deus instituiu a família e dotou-a da sua constituição fundamental. O matrimônio e a família são ordenados ao bem dos esposos e à procriação e educação dos filhos.
457. Que lugar ocupa a família na sociedade?
A família é a célula originária da sociedade humana e precede qualquer reconhecimento da autoridade pública. Os princípios e os valores familiares constituem o fundamento da vida social.
458.
Quais os deveres da sociedade em relação à família?
A sociedade tem o dever de sustentar e consolidar o matrimônio e a família. Os poderes públicos devem respeitar, proteger e favorecer a verdadeira natureza do matrimônio e da família, a moral pública, os direitos dos pais e a prosperidade doméstica.



Escrito por Pe. Henrique às 23h04
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Natal sem marca pagã...

Leia isto, caro Internauta! Não custa nada tentar fazer o Natal voltar a ser um Natal cristão!

Uma pequena cidade no sul da Alemanha decidiu banir o Papai Noel da paisagem natalina.

A câmara municipal de Fluorn-Winzeln, lugarejo com pouco mais de 3 mil habitantes localizado às margens da Floresta Negra, declarou a região uma "zona livre de Papai Noel".

Foto: Prefeitura de Fluorn-Winzeln/BBC
Loja de cidade alemã: papai noel é proibido.

De acordo com o prefeito local, Bernhard Tjaden, o objetivo é preservar as tradições do Natal, segundo ele freqüentemente esquecidas nessa época do ano em favor do consumismo.

A idéia é incentivar os cidadãos a substituir o "bom velhinho" pela figura histórica de São Nicolau.

"O Papai Noel é um personagem artificial" argumenta Tjaden. "Ele não lembra em nada São Nicolau, que ajudava pessoas carentes e era um amigo das crianças", explica.

As escolas e os comerciantes da região aderiram ao apelo, retirando as decorações com Papai Noel das vitrines e colando adesivos com um sinal de "proibido" em seus estabelecimentos.

 Foto: Prefeitura de Fluorn-Winzeln/BBC
No quadro de escola, novo aviso: papai noel, não!

 Cartazes com o rosto do personagem atravessado por uma faixa vermelha adornam não só o interior de lojas e repartições públicas, mas os avisos, que se parecem com uma placa de trânsito, foram pendurados também na fachada do prédio da prefeitura e até junto à sinalização que marca as entradas do município.

 Nas salas de aulas, professores ensinam às crianças o significado do Natal e contam histórias de São Nicolau, bispo de Mira no século IV, que serviu de inspiração para o ícone natalino. 

Os alunos são orientados a diferenciar o "original" da "cópia" e desenhos no quadro negro mostram as diferenças entre os trajes de ambos, destacando a mitra episcopal no lugar do gorro vermelho e o cajado substituindo o saco de presentes. 

A campanha "Zona livre de Papai Noel" foi criada por uma entidade assistencial ligada Confederação dos Bispos da Alemanha para resgatar São Nicolau como símbolo original das festas natalinas e combater o "consumismo" nas festas de fim de ano.

A renda obtida na venda de cartazes, adesivos e outros produtos será destinada à entidades que prestam ajuda a crianças com doenças terminais. Esta é a primeira vez que a idéia é apoiada oficialmente pela administração de um município. 



Categoria: Fatos
Escrito por Pe. Henrique às 19h42
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Sempre o amor

Dos Sermões de São Fulgêncio de Ruspe (467-532), Bispo:

«É por isto que todos saberão que sois Meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13,35).

A caridade que fez Cristo descer do céu à terra foi a mesma que elevou Santo Estêvão da terra ao céu. O amor, que primeiro existia no Rei, resplandeceu a seguir no soldado.

Para onde Estêvão subiu primeiro, martirizado à vista de Paulo, foi para onde Paulo o seguiu, socorrido pelas orações de Estêvão. Aqui está a verdadeira vida, meus irmãos, aquela em que Paulo não ficou abatido pela morte de Estêvão, mas em que Estêvão se alegrou com a companhia de Paulo, porque a caridade leva a alegria tanto a um como ao outro. Em Estêvão, o amor foi superior à hostilidade dos seus inimigos; em Paulo, «a caridade cobriu uma multidão de pecados» (1Pd 4,8). Num, como no outro, o amor conseguiu, de modo idêntico, alcançar o Reino dos céus.

A caridade é, pois, a fonte e origem de todos os bens, uma proteção invencível, a via que conduz ao céu. Aquele que caminha segundo a caridade não poderá afastar-se, nem ter medo. Ela dirige, ela protege, ela conduz à meta. Por isso, meus irmãos, dado que Cristo preparou a escada da caridade, pela qual todo o cristão pode subir ao céu, sede cuidadosamente fiéis a esse amor, praticai-o entre vós e, progredindo no amor, fazei a vossa ascensão.

Saint Stephanos



Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 18h49
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   Ele se inclinou: fez-se criança!

Eis a homilia do Santo Padre na Missa da Noite do Natal:

«Quem se compara ao Senhor, nosso Deus, que tem o seu trono nas alturas e Se inclina lá do alto a olhar os céus e a terra?» Assim canta Israel num dos seus Salmos (113/112, 5s.), onde exalta simultaneamente a grandeza de Deus e sua benigna proximidade dos homens. Deus habita nas alturas, mas inclina-Se para baixo... Deus é imensamente grande e está incomparavelmente acima de nós. Esta é a primeira experiência do homem. A distância parece infinita. O Criador do universo, Aquele que tudo guia, está muito longe de nós: assim parece ao início.

Mas depois vem a experiência surpreendente: Aquele que não é comparável a ninguém, que «está sentado nas alturas», Ele olha para baixo. Inclina-se para baixo. Ele vê-nos a nós, e vê-me a mim. Este olhar de Deus para baixo é mais do que um olhar lá das alturas. O olhar de Deus é um agir. O facto de Ele me ver, me olhar, transforma-me a mim e o mundo ao meu redor. Por isso logo a seguir diz o Salmo: «Levanta o pobre da miséria...» Com o seu olhar para baixo, Ele levanta-me, toma-me benignamente pela mão e ajuda-me, a mim próprio, a subir de baixo para as alturas. «Deus inclina-Se».

Esta é uma palavra profética; e, na noite de Belém, adquiriu um significado completamente novo. O inclinar-Se de Deus assumiu um realismo inaudito, antes inimaginável. Ele inclina-Se: desce, Ele mesmo, como criança na miséria do curral, símbolo de toda a necessidade e estado de abandono dos homens. Deus desce realmente. Torna-Se criança, colocando-Se na condição de dependência total, própria de um ser humano recém-nascido. O Criador que tudo sustenta nas suas mãos, de Quem todos nós dependemos, faz-Se pequeno e necessitado do amor humano. Deus está no curral.

No Antigo Testamento, o templo era considerado quase como o estrado dos pés de Deus; a arca santa, como o lugar onde Ele estava misteriosamente presente no meio dos homens. Deste modo sabia-se que sobre o templo, escondida, estava a nuvem da glória de Deus. Agora, está sobre o curral. Deus está na nuvem da miséria de uma criança sem lugar na hospedaria: que nuvem impenetrável e, n o entanto, nuvem da glória! De fato, de que modo poderia aparecer maior e mais pura a sua predileção pelo homem, a sua solicitude por ele? A nuvem do encobrimento, da pobreza da criança totalmente necessitada do amor, é ao mesmo tempo a nuvem da glória. É que nada pode ser mais sublime e maior do que o amor que assim se inclina, desce, se torna dependente. A glória do verdadeiro Deus torna-se visível quando se abrem os nossos olhos do coração diante do curral de Belém.

A narração do Natal feita por São Lucas, que acabamos de ouvir no texto evangélico, conta-nos que Deus levantou um pouco o véu do seu encobrimento primeiro diante de pessoas de condição muito humilde, diante de pessoas que habitualmente eram desprezadas na grande sociedade: diante dos pastores que, nos campos ao redor de Belém, guardavam os animais. Lucas diz-n os que estas pessoas «velavam». Nisto podemos ouvir ressoar um motivo central da mensagem de Jesus, na qual volta, repetidamente e com crescente urgência até ao Jardim das Oliveiras, o convite à vigilância, a permanecer acordados para nos darmos conta da vinda do Senhor e estarmos preparados para ela. Por isso, também aqui talvez a palavra signifique algo mais do que o simples estar externamente acordados durante as horas noturnas. Eram pessoas verdadeiramente vigilantes, nas quais estava vivo o sentido de Deus e da sua proximidade; pessoas que estavam à espera de Deus e não se resignavam com o aparente afastamento d'Ele na vida de cada dia.

A um coração vigilante pode ser dirigida a mensagem da grande alegria: esta noite nasceu para vós o Salvador. Só o coração vigilante é capaz de crer na mensagem. Só o coração vigilante pode incutir a coragem de pôr-se a caminho para encontrar Deus nas condições de uma criança no curral. Peçamos ao Senhor para que nos ajude, a nós também, a tornarmo-nos pessoas vigilantes.

São Lucas narra-nos ainda que os próprios pastores ficaram «envolvidos» pela glória de Deus, pela nuvem de luz, encontravam-se dentro do resplendor desta glória. Envolvidos pela nuvem santa ouvem o cântico de louvor dos anjos: «Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens por Ele amados». E quem são estes homens por Ele amados senão os pequenos, os vigilantes, aqueles que estão à espera, esperam na bondade de Deus e procuram-No olhando para Ele de longe?

Nos Padres da Igreja, é possível encontrar um comentário surpreendente ao cântico com que os anjos saúdam o Redentor. Até àquele momento - dizem os Padres - os anjos tinham conhecido Deus na grandeza do universo, na lógica e na beleza do cosmos que provêm d'Ele e O refletem. Tinham acolhido por assim dizer o cântico de louvor mudo da criação e tinham-no transformado em música do céu. Mas agora acontecera um fato novo, até mesmo assombroso para eles. Aquele de quem fala o universo, o próprio Deus que tudo sustenta e traz na sua mão, Ele mesmo entrara na história dos homens, tornara-Se um que age e sofre na história. Do jubiloso assombro suscitado por este fato inconcebível, por esta segunda e nova maneira em que Deus Se manifestara - dizem os Padres - nasceu um cântico novo, tendo o Evangelho de Natal conservado uma estrofe para nós: «Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens».

Talvez se possa dizer, segundo a estrutura da poesia hebraica, que este versículo nas suas duas frases diz fundamentalmente a mesma coisa, mas duma perspectiva diversa. A glória de Deus está no alto dos céus, mas esta sublimidade de Deus encontra-se agora no curral, aquilo que era humilde tornou-se sublime. A sua glória está sobre a terra, é a glória da humildade e do amor. Mais ainda: a glória de Deus é a paz. Onde está Ele, lá está a paz. Ele está lá onde os homens não querem fazer, de modo autônomo, da terra o paraíso, servindo-se para tal fim da violência. Ele está com as pessoas de coração vigilante; com os humildes e com aqueles que correspondem à sua elevação, à elevação da humildade e do amor. A estes dá a sua paz, para que, por meio deles, entre a paz neste mundo.

O teólogo medieval Guilherme de São Thierry disse uma vez: Deus viu, a partir de Adão, que a sua grandeza suscitava no homem resistência; que o homem se sente limitado no ser ele próprio e ameaçado na sua liberdade. Portanto Deus escolheu um caminho novo. Tornou-Se um Menino. Tornou-Se dependente e frágil, necessitado do nosso amor. Agora - diz-nos aquele Deus que Se fez Menino - já não podeis ter medo de Mim, agora podeis apenas amar-Me.

É com tais pensamentos que, esta noite, nos aproximamos do Menino de Belém, daquele Deus que por nós quis fazer-Se criança. Em cada criança, há o revérbero do Menino de Belém. Cada criança pede o nosso amor. Pensemos, pois, nesta noite de modo particular também naquelas crianças às quais é recusado o amor dos pais; nos meninos da rua que não têm o dom de um lar doméstico; nas crianças que são brutalmente usadas como soldado s e feitas instrumentos da violência, em vez de poderem ser portadores da reconciliação e da paz; nas crianças que, através da indústria da pornografia e de todas as outras formas abomináveis de abuso, são feridas até ao fundo da sua alma.

O Menino de Belém é um renovado apelo que nos é dirigido para fazermos tudo o que for possível a fim de que acabe a tribulação destas crianças; para fazermos tudo o que for possível a fim de que a luz de Belém toque os corações dos homens. Somente através da conversão dos corações, somente através de uma mudança no íntimo do homem se pode superar a causa de todo este mal, pode ser vencido o poder do maligno. Somente se mudarem os homens é que muda o mundo e, para os homens mudarem, precisam da luz que vem de Deus, daquela luz que de modo tão inesperado entrou na nossa noite.

E falando do Menino de Belém, pensemos também na localidade que responde ao nome de Belém; pensemos naquela terra onde Jesus viveu e que Ele amou profundamente. E peçamos para que lá se crie a paz. Que cessem o ódio e a violência. Que desperte a compreensão recíproca, se realize uma abertura dos corações que abra as fronteiras. Que desça a paz que os anjos cantaram naquela noite.

NoSalmo 96/95, Israel e, com ele, a Igreja louvam a grandeza de Deus que se manifesta na criação. Todas as criaturas são chamadas a aderir a este cântico de louvor, encontrando-se lá também este convite: «Alegrem-se as árvores da floresta, diante do Senhor que vem» (12s.). A Igreja lê este Salmo também como um profecia e simultaneamente uma missão. A vinda de Deus a Belém foi silenciosa. Somente os pastores que velavam foram por uns momentos envolvidos no esplendor luminoso da sua chegada e puderam ouvir uma parte daquele cântico novo que brotara da maravilha e da alegria dos anjos pela vinda de Deus. Esta vinda silenciosa da glória de Deus continua através dos séculos. Onde há fé, onde a sua palavra é anunciada e escutada, Deus reúne os homens e dá-Se-lhes no seu Corpo, transforma-os no seu Corpo. Ele «vem». E assim desperta o coração dos homens.

O cântico novo dos anjos torna-se cântico dos homens que, ao longo de todos os séculos, de forma sempre nova cantam a vinda de Deus como Menino e, a partir do seu íntimo, tornam-se felizes. E as árvores da floresta vão até Ele e exultam. A árvore na Praça de São Pedro fala d'Ele, quer transmitir o seu esplendor e dizer: Sim, Ele veio e as árvores da floresta aclamam-No. As árvores nas cidades e nas casas deveriam ser algo mais do que um costume natalício: indicam Aquele que é a razão da nossa alegria - o próprio Deus que por nós Se fez menino. O cântico de louvor, no mais fundo, fala enfim d'Aquele que é a própria árvore da vida reencontrada. Pela fé n'Ele, recebemos a vida. No sacramento da Eucaristia, dá-Se a nós: dá uma vida que chega até à eternidade. Nesta hora, juntamo-nos ao cântico de louvor da criação e o nosso louvor é ao mesmo tempo uma oração: Sim, Senhor, fazei-nos ver algo do esplendor da vossa glória. E dai a paz à terra. Tornai-nos homens e mulheres da vossa paz. Amém.



Escrito por Pe. Henrique às 16h26
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   Mensagem de Bento XVI

Eis a mensagem do Santo Padre Bento XVI neste santo Dia de Natal:

 

«Apparuit gratia Dei Salvatoris nostri omnibus hominibus» (Tt 2, 11).

Amados irmãos e irmãs, com as palavras do apóstolo Paulo renovo o jubiloso anúncio do Natal de Cristo: sim, hoje, «manifestou-se a todos os homens a graça de Deus, nosso Salvador»!

Manifestou-se! Isto é o que a Igreja hoje celebra. A graça de Deus, rica em bondade e ternura, já não está escondida, mas «manifestou-se», manifestou-se na carne, mostrou o seu rosto. Onde? Em Belém. Quando? Sob César Augusto, durante o primeiro recenseamento a que alude também o evangelista Lucas. E quem é o revelador? Um recém-nascido, o Filho da Virgem Maria. N'Ele manifestou-se a graça de Deus, Salvador nosso. Por isso, aquele Menino chama-Se Jehoshua, Jesus, que significa «Deus salva».

A graça de Deus manifestou-se: eis o motivo por que o Natal é festa de luz. Não uma luz total, como aquela que envolve todas as coisas em pleno dia, mas um clarão que se acende na noite e se difunde a partir de um ponto concreto do universo: da gruta de Belém, onde o Deus Menino «veio à luz» ;. Na realidade, é Ele a própria luz que se propaga, como aparece bem representado em muitos quadros da Natividade. Ele é a luz, que, ao manifestar-se, rompe a bruma, dissipa as trevas e nos permite compreender o sentido e o valor da nossa existência e da história. Cada presépio é um convite simples e eloquente a abrir o coração e a mente ao mistério da vida. É um encontro com a Vida imortal, que Se fez mortal na mística cena do Natal; uma cena que podemos admirar também aqui, nesta Praça, tal como em inumeráveis igrejas e capelas do mundo inteiro e em toda a casa onde é adorado o nome de Jesus.

A graça de Deus manifestou-se a todos os homens. Sim, Jesus, o rosto do próprio Deus-que-salva, não Se manifestou somente para poucos, para alguns, mas para todos. É verdade que, no casebre humilde e pobre de Belém, poucas pessoa s O encontraram, mas Ele veio para todos: judeus e pagãos, ricos e pobres, de perto e de longe, crentes e não crentes... todos. A graça sobrenatural, por vontade de Deus, destina-se a toda a criatura. Mas é preciso que o ser humano a acolha, pronuncie o seu «sim», como Maria, para o coração seja iluminado por um raio daquela luz divina. Os que acolheram o Verbo encarnado, naquela noite, foram Maria e José, que O esperavam com amor, e os pastores, que vigiavam durante a noite (cf. Lc 2, 1-20). Foi, portanto, uma pequena comunidade que acorreu a adorar Jesus Menino; uma pequena comunidade que representa a Igreja e todos os homens de boa vontade. Também hoje, aqueles que na vida O esperam e procuram, encontram Deus que por amor Se fez nosso irmão; quantos têm o coração voltado para Ele, desejam conhecer o seu rosto e contribuir para instaurar o seu reino. Di-lo-á o próprio Jesus na sua pregação: são os pobres em espírito, os aflitos, os mansos, os famintos de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os obreiros da paz, os perseguidos por causa da justiça (cf. Mt 5, 3-10). Estes reconhecem em Jesus o rosto de Deus e regressam, como os pastores de Belém, renovados no coração pela alegria do seu amor.

Irmãos e irmãs que me escutais, a todos os homens se destina o anúncio de esperança que constitui o coração da mensagem de Natal. Para todos nasceu Jesus e, como em Belém Maria O ofereceu aos pastores, neste dia a Igreja apresenta-O à humanidade inteira, para que toda a pessoa e cada situação humana possa experimentar a força da graça salvadora de Deus, a única que pode transformar o mal em bem, a única que pode mud ar o coração do homem e torná-lo um «oásis» de paz.

Possam experimentar a força da graça salvadora de Deus as numerosas populações que vivem ainda nas trevas e nas sombras da morte (cf.Lc 1, 79). Que a Luz divina de Belém se difunde pela Terra Santa, onde o horizonte parece tornar-se a fazer escuro para os israelitas e os palestinos, difunda-se pelo Líbano, o Iraque e todo o Médio Oriente. Torne fecundos os esforços de quantos não se resignam com a lógica perversa do conflito e da violência e privilegiam pelo contrário o caminho do diálogo e das negociações para se harmonizar as tensões internas nos diversos Países e encontras soluções justas e duradouras para os conflitos que atormentam a região. Por esta Luz que transforma e renova, anelam os habitantes do Zimbábue, em África, oprimidos há demasiado tempo por uma crise política e social que, infelizmente, continua a agravar-se, coma também os homens e as mulheres da República Democrática do Congo, especialmente na martirizada região do Kivu, do Darfour, no Sudão, e da Somália, cujos infindáveis sofrimentos são uma trágica consequência da falta de estabilidade e de paz. Por esta Luz esperam sobretudo as crianças dos países referidos e de todo os outros em dificuldade, a fim de que seja devolvida a esperança ao seu futuro.

Onde a dignidade e os direitos da pessoa humana são espezinhados; onde os egoísmos pessoais ou de grupo prevalecem sobre o bem comum; onde se corre o risco de habituar-se ao ódio fratricida a à exploração do homem pelo homem; onde lutas internas dividem grupos e etnias e dilaceram a convivência; onde o terrorismo continua a percutir; onde falta o necessário para sobreviver; onde se olha com apreensão para um futuro que se vai tornando cada vez mais incerto, mesmo nas Nações do bem-estar: lá resplandeça a Luz do Natal e encoraje todos a fazerem a própria parte, com espírito de autêntica solidariedade. Se cada um pensar só nos próprios interesses, o mundo não poderá senão caminhar para a ruína.

Amados irmãos e irmãs, hoje «manifestou-se a graça de Deus Salvador» (cf. Tt 2, 11), neste nosso mundo, com as suas potencialidades e as suas debilidades, os seus progressos e as suas crises, com as suas esperanças e as suas angústias. Hoje refulge a luz de Jesus Cristo, Filho do Altíssimo e filho da Virgem Maria: «Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro. Por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos Céus». Adoramo-Lo hoje, em cada ângulo da terra, envolvido em faixas e reclinado numa pobre manjedoura. Adoramo-Lo em silêncio enquanto Ele, ainda infante, parece dizer-nos para nossa consolação: não tenhais medo, «Eu sou Deus e não há outro» (Is 45, 22). Vinde a Mim, homens e mulheres, povos e nações. Vinde a Mim, não temais! Vim trazer-vos o amor do Pai, mostrar-vos o caminho da paz.

Vamos, pois, irmãos! Apressemo-nos, como os pastores na noite de Belém. Deus veio ao nosso encontro e mostrou-nos o seu rosto, rico em misericórdia! A sua graça não seja vã para nós! Procuremos Jesus, deixemo-nos atrair pela sua luz, que dissipa a tristeza e o medo do coração do homem; aproximemo-nos com confiança; com humildade, prostremo-nos para O adorar. Feliz Natal para todos!



Escrito por Pe. Henrique às 16h15
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Nasceu-nos um Salvador!

É Natal! O que o Anjo disse aos pastores exprime bem o mistério que os cristãos celebram: "Não temais! Hoje nasceu para vós um Salvador, que o Cristo Senhor!"

Este anúncio, que tanta alegria e esperança já suscitou, atualmente é ouvido pelo mundo com solene e fria indiferença: "Quem precisa de salvadores? A ciência nos dá conforto e explicações da realidade; a liberdade sem limites de que gozamos nos dá a possibilidade de viver a vida como bem queremos; a oferta de diversões de todo o tipo nos entrete e cria uma sensação de felicidade. Então: estamos salvos, salvos por nós mesmos e não precisamos de um Salvador. Somos nossos próprios salvadores!"

E, no entanto, se olharmos o coração humano com um pouquinho mais de vagar e profundidade: solidão, tristeza, fome, violência, injustiças gritantes, fracassos, doenças incuráveis, sofrimentos lacerantes, feridas profundas na alma, fobias e frustrações e, por fim, a morte, que primeiro é ameaça e, finalmente, uma realidade onipresente e dolorosa... Pobre homem, eterno caniço agitado pelo vento, erva que fenece ao sopro do vento e ao calor do sol da vida...

Por mais que os filhos de Adão queiram esconder e negar, eles precisam de um Salvador, que lhes dê pleno sentido à existência, que descortine o caminho da verdade e lhes conceda o dom da vida imperecível. Nossa sociedade não é melhor ou mais madura porque pensa não precisar de salvação. É somente mais cega, mais néscia, mais obtusa. Vive um ilusão triste e frustrante...

Quem de verdade prestou atenção à dor do viver, quem procurou com seriedade o sentido da existência, quem foi maduro o bastante para admitir sua própria limitação, sabe o quanto tem necessidade da Salvação e enche os olhos de lágrimas comovidas e o coração de doce gratidão ao anúncio: "Não temais! Hoje nasceu para vós um Salvador, Cristo, o Senhor!"

Não estamos sozinhos: temos um Salvador. Deus mesmo veio ao nosso encontro, fez-se um de nós e um conosco e nos tomou pela mão. Nele a vida e a morte adquirem seu verdadeiro sentido e o homem descobre o quanto e precioso diante de Deus. Nasceu-nos um Salvador! Feliz Natal a todos!



Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 16h05
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   Leituras para o Dia do Natal

Leitura do Livro do profeta Isaías (Is 52,7-10)
7Como são belos, andando sobre os montes, os pés de quem anuncia e prega a paz, de quem anuncia o bem e prega a salvação, e diz a Sião: "Reina teu Deus!"
8Ouve-se a voz de teus vigias, eles levantam a voz, estão exultantes de alegria, sabem que verão com os próprios olhos o Senhor voltar a Sião.
9Alegrai-vos e exultai ao mesmo tempo, ó ruínas de Jerusalém, o Senhor consolou seu povo e resgatou Jerusalém.
10O Senhor desnudou seu santo braço aos olhos de todas as nações; todos os confins da terra hão de ver a salvação que vem do nosso Deus.

Salmo responsorial (Sl 97)
Os confins do universo contemplaram
a salvação do nosso Deus.

Cantai ao Senhor Deus um canto novo,
porque ele fez prodígios!
Sua mão e o seu braço forte e santo
alcançaram-lhe a vitória.

O Senhor fez conhecer a salvação,
e às nações, sua justiça;
recordou o seu amor sempre fiel
pela casa de Israel.

Os confins do universo contemplaram
a salvação do nosso Deus.
Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira,
alegrai-vos e exultai!

Cantai salmos ao Senhor ao som da harpa
e da cítara suave!
Aclamai, com os clarins e as trombetas,
ao Senhor, o nosso Rei!

Leitura da Carta aos Hebreus (Hb 1,1-6)
1Muitas vezes e de muitos modos falou Deus outrora aos nossos pais, pelos profetas; 2nestes dias, que são os últimos, ele nos falou por meio do Filho, a quem ele constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também ele criou o universo.
3Este é o esplendor da glória do Pai, a expressão do seu ser. Ele sustenta o universo com o poder de sua palavra. Tendofeito a purificação dos pecados, ele sentou-se à direita da majestade divina, nas alturas. 4Ele foi colocado tanto acima dos anjos quanto o nome que ele herdou supera o nome deles.
5De fato, a qual dos anjos Deus disse alguma vez: "Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei?" Ou ainda: "Eu serei para ele um Pai e ele será para mim um Filho?"
6Mas, quando faz entrar o Primogênito no mundo, Deus diz: "Todos os anjos devem adorá-lo!"

Aleluia, aleluia, aleluia!
Despontou o santo Dia para nós:
Ó nações, vinde adorar o Senhor Deus,
Porque hoje grande luz brilhou na terra!

Evangelho de Jesus Cristo segundo João (Jo 1,1-18)
1No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus; e o Verbo era Deus. 2No princípio estava ela com Deus. 3Tudo foi feito por ele, e sem ele nada se fez de tudo que foi feito. 4Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. 5E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la.
6Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João. 7Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele. 8Ele não era a luz, mais veio para dar testemunho da luz: 9daquele que era a luz de verdade, que, vindo ao mundo, ilumina todo ser humano.
10 O Verbo estava no mundo - e o mundo foi feito por meio dele - mas o mundo não quis conhecê-la. 11Veio para o que era seu, e os seus não o acolheram.
12Mas, a todos que o receberam, deu-lhes capacidade de se tornarem filhos de Deus, isto é, aos que acreditam em seu nome, 13pois estes não nasceram do sangue nem da vontade da carne nem da vontade do varão, mas de Deus mesmo.
14E o Verbo se fez carne e habitou entre nós. E nós contemplamos a sua glória, glória que recebe do Pai como Filho unigênito, cheio de graça e de verdade.
5Dele, João dá testemunho, clamando: "Este é aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim passou à minha frente, porque ele existia antes de mim".
16De sua plenitude todos nós recebemos graça por graça. 17Pois por meio de Moisés foi dada a Lei, mas a graça e a verdade nos chegaram através de Jesus Cristo.
18A Deus ninguém jamais viu. Mas o Unigênito de Deus, que está na intimidade do Pai, ele no-lo deu a conhecer.



Escrito por Pe. Henrique às 16h51
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   Estudo bíblico-catequético para a Missa do Sia do Natal

1. A primeira leitura deste Dia Santo fala-nos do Messias:
=> É ele que, saído do seio da Virgem, veio anunciar o shalom do perdão de Deus. Leia Is 9,5-6; Jo 14,27; Rm 5,1-2; Ef 2,14-18.
=> Ele traz a salvação: seu próprio nome bendito já o indica: "Jesus" = Ieshuah = Iahweh salva! (cf. Mt 1,21).
=> Ele anuncia o Reinado de Deus a Israel e à toda a humanidade: "O teu Deus reina!" Veja o conteúdo essencial da pregação de Jesus em Mc 1,14-15.

2. O natal do santo Messias de Deus enche-nos de alegria:
=> Agora podemos ver e ouvir o nosso Deus; podemos abraçá-lo e ser por ele abraçados: não mais estamos sozinhos! Leia estes textos comoventes: Is 30,18-21; Lc 2,29-32; Jo 1,14, 1Jo 1,1-4; Mt 11,11,28-30.
=> Nossas ruínas, as ruínas de humanidade, deste mundo ferido e cansado, serão restauradas: "todos os confins da terra hão dever a salvação do nosso Deus". Esta Salvação nasceu para nós de Maria a Virgem! Releia a primeira leitura, contemplando o Mistério!

3. O salmo da Missa é todo exultação:
=> Hoje cantam os anjos e devemos nós cantar com eles; mas um canto novo! O canto que o Filho hoje nascido trouxe ao mundo.
=> Só o homem novo pode cantar o cântico novo. Diz Santo Agostinho (séc. V): "Somos exortados a cantar ao Senhor um cântico novo. O homem novo conhece o cântico novo. (...) Quem sabe amar a vida nova sabe cantar o cântico novo. (...) 'Cantai ao Senhor um cântico novo'. 'Eis - tu dizes - Estou cantando!' Estás cantando, é  verdade, estás cantando. Estou ouvindo! Mas, que a tua vida não desminta a tua língua! Cantai com a voz, cantai com o coração, cantai com os lábios, cantai com os costumes. Cantai ao Senhor um cântico novo!"
=> Por que a exultação? Por que o cântico novo? Porque toda a terra viu a Salvação do nosso Deus! Ele não é só o Salvador de Israel, mas de toda a humanidade! O meu, o seu Salvador! Diz São Leão I Magno (séc V): "Ninguém está excluído da participação nesta felicidade. A causa da alegria é comum a todos, porque nosso Senhor, vencedor do pecado e da morte, não tendo encontrado ninguém isento de culpa, veio libertar a todos. Exulte o justo, porque se aproxima a vitória; rejubile o pecador, porque lhe é oferecido o perdão; reanime-se o pagão, porque é chamado à vida. Despojemo-nos, portanto, do velho homem com seus atos; e tendo sido admitidos a participar do nascimento de Cristo, renunciemos às obras da carne!".

4. A segunda leitura deste Hoje bendito é rica se lições:
=> Tudo quanto o Pai falou no Antigo Testamento era preparação para a Palavra final de Deus: o Verbo eterno, o Filho Jesus (v. 1).
=> Ele é Deus igual ao Pai: é esplendor da sua glória, é expressão do seu ser divino, ele sustenta o universo, está à direita do Pai e só ele é o Filho gerado do ser do Pai (vv. 2-5).
=> Em Jesus, o Pai não manda mais mensageiros. Agora é a sua própria Palavra, seu Verbo, que se fez homem para nos purificar dos nossos pecados (v.5). 

5. O evangelho de hoje é o estupendo prólogo de São João. Eis alguns pontos mais importantes:
=> O Verbo (= Palavra) é eterno, estava com Deus e era Deus como o Pai (vv. 1-2).
=> Tudo quando existe foi criado através dele e sem ele nada foi feito (v. 3).
=> Nele - e só nele - está a nossa vida verdadeira (v. 4).
=> Ele desde o princípio está no mundo, com sua mão que tudo dirige e orienta, mas os homens, desde o início, não o acolheram... (v. 10) Depois, com a Encarnação, vão crucificá-lo...
=> Os que acolhem o Verbo tornam-se filhos de Deus, nascidos não segunda a carne, mas no Espírito do Ressuscitado, pela vontade de Deus (vv. 12-13).
=> "O Verbo se fez carne!" Carne, na Bíblia, é o homem no seu todo, enquanto é frágil criatura, destinada à morte. Leia Is 40,6-8: toda carne é erva que passa; só a Palavra de Deus permanece. Pois hoje a Palavra que permanece fez-se carne, erva que passa! Eis a humilhação do Filho por nosso amor!
=> Na carne (= natureza humana frágil )do Verbo brilha a glória e a graça do Deus eterno (vv. 15.17)
=> Só Jesus, o Verbo encarnado, pode nos revelar Deus. Jesus não é um homem bom e grande. Jesus é Deus feito homem! Só Ele é o Caminho, só Ele é a Verdade, só Ele é a Vida! Leia At 4,8-13; Jo 14,1-10.

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Christus natus est pro nobis! Venite adoremus!



Escrito por Pe. Henrique às 16h47
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   Leituras para a Missa da Noite do Natal

Leitura do Livro do profeta Isaías (Is 9,1-6)
1O povo, que andava na escuridão, viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu.
2Fizeste crescer a alegria e aumentaste a felicidade; todos se regozijam em tua presença, como alegres ceifeiros na colheita, ou como exaltados guerreiros ao dividirem os despojos.
3Pois o jugo que oprimia o povo, - a carga sobre os ombros, o orgulho dos fiscais - tu os abateste como na jornada de Madiã.
4Botas de tropa de assalto, trajes manchados de sangue, tudo será queimado e devorado pelas chamas.
5Porque nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho; ele traz aos ombros a marca da realeza; o nome que lhe foi dado é: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da paz.
6Grande será o seu reino e a paz não há de ter fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reinado, que ele irá consolidar e confirmar em justiça e santidade, a partir de agora e para todo o sempre. O amor zeloso do Senhor dos exércitos há de realizar essas coisas.

Salmo responsorial (Sl 95)
Hoje nasceu para nós o Salvador,
que é Cristo, o Senhor.

Cantai ao Senhor Deus um canto novo,
cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira!
Cantai e bendizei seu santo nome! 

Dia após dia anunciai sua salvação,
manifestai a sua glória entre as nações,
e entre os povos do universo seus prodígios!

O céu se rejubile e exulte a terra,
aplauda o mar com o que vive em suas águas;
os campos com seus frutos rejubilem
e exultem as florestas e as matas

na presença do Senhor, pois ele vem,
porque vem para julgar a terra inteira.
Governará o mundo com justiça,
e os povos julgará com lealdade.

Leitura da Carta de São Paulo a Tito (Tt 2,11-14)
Caríssimo: 11A graça de Deus se manifestou trazendo salvação para todos os homens. 12Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas e a viver neste mundo com equilíbrio, justiça e piedade, 13aguardando a feliz esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo.
14Ele se entregou por nós, para nos resgatar de toda maldade e purificar para si um povo que lhe pertença e que se dedique a praticar o bem.

Aleluia, aleluia, aleluia! (Lc 2,10-11)
Eu vos trago a boa nova de uma grande alegria:
É que hoje vos nasceu o Salvador, Cristo, o Senhor!

Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (Lc 2,1-14)
1Aconteceu que, naqueles dias, César Augusto publicou um decreto, ordenando o recenseamento de toda a terra.
2Este primeiro recenseamento foi feito quando Quirino era governador da Síria. 3Todos iam registrar-se cada um na sua cidade natal.
4Por ser da família e descendência de Davi, José subiu da cidade de Nazaré, na Galiléia, até a cidade de Davi, chamada Belém, na Judéia, 5para registrar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida.
6Enquanto estavam em Belém, completaram-se os dias para o parto, 7e Maria deu à luz o seu filho primogênito. Ela o enfaixou e o colocou na manjedoura, pois não havia lugar para eles na hospedaria.
8Naquela região havia pastores que passavam a noite nos campos, tomando conta do seu rebanho.
9Um anjo do Senhor apareceu aos pastores, a glória do Senhor os envolveu em luz, e eles ficaram com muito medo. 10O anjo, porém, disse aos pastores: "Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo: 11Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor. 12Isto vos servirá de sinal: Encontrareis um recém-nascido envolvido em faixas e deitado numa manjedoura".
13E, de repente, juntou-se ao anjo uma multidão da coorte celeste. Cantavam louvores a Deus, dizendo: 14"Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amados".



Escrito por Pe. Henrique às 16h41
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   Estudo bíblico-catequético para a Noite do Natal

1. Hoje, em honra do Natal do Senhor, a Igreja celebra três missas: à Noite Santa a chamada Missa do Galo, de manhã cedinho, a Missa da Aurora e, finalmente, com o sol claro, a Missa do Dia. Devemos participar de uma dessas três missas.

2. Observe a estupenda primeira leitura:
=> Localize os contrastes: (1) treva-luz, (2) morte-luz da vida, (3) opressão, guerra-alegria, felicidade, regozijo.
=> O que faz a situação mudar? Localize a resposta: a presença de Deus.
=> Mas, como esse Deus se manifesta? Veja os títulos que se dão ao Messias, enviado de Deus.
=> Esse Messias é o rei descendente de Davi. Procure no texto esta idéia.
=> Pense: Que trevas envolvem o mundo de hoje?

3. O Salmo é um convite a cantar um canto novo.
=> Com o nascimento do Menino que nos foi dado, tudo é renovado: Deus vai recomeçar sua história com a humanidade.
=> No Filho que nos nasceu o céu, a terra, os povos - tudo que existe - louva o Senhor. Todos se alegram porque o Senhor vem!
=> A Igreja, na sua Liturgia, exclama, no Ofício das Leituras: "Hoje, a Paz verdadeira desceu do céu. Hoje, os céus e a terra espalham doçura. Hoje, raiou o Dia do novo resgate de eterna alegria há muito esperado".
=> Pense bem: Santo Agostinho diz que somente o homem novo pode cantar o cântico novo!

4. A segunda leitura nos fala de Jesus, a graça hoje feita criança:
=> Jesus é a graça de Deus que se manifestou trazendo a salvação. Contemplemo-la no presépio (v.11).
=> Na sua luz e humildade ela nos convida à conversão (v. 12).
=> É assim que esperamos a sua Vinda gloriosa que completará a obra de sua vinda em Belém (v.13).
=> Para isso ele veio e para isso entregou sua vida: para nos purificar e ser o nosso Senhor (v. 14). 

5. O Evangelho desta Noite santíssima é todo doçura e surpresa:
=> Surpresa de um Deus inconveniente: vem no local mais impróprio (numa manjedoura) e nas horas menos propícias (os pais em viagem).
=> Surpresa pela recusa humana: "Não havia lugar para eles..." Há lugar para Ele nesta Noite?
=> Surpresa da luz que brilha no meio da noite: na treva humana brilha a luz de Deus!
=>
Surpresa dos anjos que cantam na terra as cantigas do céu: acabou-se o abismo que nos separava de Deus!
=> Surpresa do Deus que escolhe pobres e desprezados pastores e os envolve em luz.
=> Surpresa do sinal que o Anjo dá para que se reconheça o Salvador, o Deus-Messias: um menininho, envolto em trapos, deitado, indefeso, numa manjedoura pobre!
=> Pense nestas surpresas e suplique nesta noite a graça da conversão: de aceitar as surpresas e a lógica de Deus!
=> Quando nos abrimos para estas surpresas a damos glória ao Deus do céu e inundamos a terra de paz!

6. A Noite de hoje prepara e prenuncia um outra, ainda mais santa, definitiva: a Noite da Páscoa.
=> Leia os vv. 10 e 11. Leia, agora, At 2,36. Que títulos aparecem nos dois textos de Lucas?

7. Atenção! A celebração do Natal não é uma recordação do passado e muito menos o aniversário de Jesus!
=> Nos gestos, palavras, ritos e símbolos da Sagrada Liturgia o acontecimento salvífico do passado torna-se presente no HOJE da nossa vida.
=> A Liturgia nunca diz: "Jesus nasceu há dois mil anos"; diz, ao invés, com toda verdade: "HOJE nasceu para vós um Salvador". Celebrar os sagrados mistérios litúrgicos é entrar no HOJE de Deus!
=> Eis alguns textos da Missa de hoje que revelam esta maravilhosa realidade: (1) Na antífona de entrada: "O Senhor me disse: Tu és o meu Filho, eu HOJE te gerei". (2) Na antífona opcional: "HOJE nasceu o Salvador do mundo, desceu do céu a verdadeira paz". (3) A coleta da Missa: "Ó Deus que fizestes resplandecer ESTA NOITE com a claridade da verdadeira luz...". (4) O refrão do Salmo: "HOJE nasceu para nós o Salvador...". (5) O aleluia do Evangelho: "Eu vos trago uma grande alegria: HOJE vos nasceu o Salvador!" (6) A oração sobre as oferendas: "Acolhei, ó Deus, a oferenda da Festa de HOJE..."
=> O mesmo vale para a Missa da Aurora e para a Missa do Dia, bem como para as orações do Ofício Divino.
=> De uma homilia de Natal de São Leão I Magno, papa do século V: "HOJE, amados filhos, nasceu o nosso Salvador. Alegremo-nos! Não pode haver tristeza no dia em que nasce a Vida; uma Vida que, dissipando o temor da morte, enche-nos de alegria com a promessa da eternidade! Toma consciência, ó cristão, da tua dignidade. Lembra-te de que Cabeça e de que corpo és membro!"

CHRISTUS NOBIS NATUS EST! FELIZ NATAL!



Escrito por Pe. Henrique às 16h37
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   Ele extinguirá nossos males!

Filhos de Deus, purificai-vos:

amanhã virá o Senhor

e extringuirá os nossos males.

Amanhã será varrida da terra a iniquidade

e sobre nós há de reinar o Salvador do mundo

e extinguirá os nossos males.

(Liturgia romana, Ofício das Leituras do Dia 24 de dezxembro)

 



Escrito por Pe. Henrique às 12h54
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Uma noite tão clara quanto o dia!

 Dos Sermões de São Bernardo (1091-1153), abade cisterciense do séc. XII e doutor da Igreja

Antes de surgir a verdadeira luz, antes do nascimento de Cristo, a noite envolvia o mundo por completo; a noite reinava também em cada um de nós, antes da nossa conversão e regeneração interior. Não era aquela a mais profunda das noites, e aquelas as trevas mais espessas à face da terra, naquele tempo em que nossos pais honravam falsos deuses?

E não houve depois em nós uma outra noite tenebrosa, nesse período em que sem Deus vivíamos neste mundo, apenas guiados pelas nossas paixões e por atrações mundanas, fazendo coisas que hoje nos fazem corar, por serem também obras das trevas?

Mas agora saístes do vosso sono, santificastes-vos, tornastes-vos filhos da luz, filhos do dia, e já não sois das trevas nem da noite (1Ts 5,5): Amanhã vereis a majestade de Deus em vós.» Hoje, por nós, o Filho fez-Se justiça vinda de Deus; amanhã, manifestar-Se-á como vida nossa, para que nos pareçamos com Ele na glória. Hoje nasceu-nos um menino, para nos impedir de viver na vã glória, e para que, ao convertermo-nos, sejamos humildes como crianças (Mt 18,3). Amanhã Ele mostrar-Se-á na sua grandeza para nos incitar ao louvor e para que possamos também ser glorificados e louvados, quando a cada um Deus conceder a sua glória. «Seremos semelhantes a Ele, porque O veremos tal como Ele é» (1Jo 3,2). Hoje, com efeito, não O vemos em Si mesmo, mas como num espelho (1Cor 13,12); hoje Ele recebe aquilo que, dependendo de nós, lhe damos. Mas amanhã vê-Lo-emos em nós, quando nos der o que depende d'Ele, quando Se mostrar tal como é em Si mesmo, e nos tomar para nos elevar até Si.


A Luz resplandeceu
e iluminou a nossa noite!



Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 07h27
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   Adeus, Advento! Bem-vindo, Emanuel!

Para terminar, eis, pela última vez, a última das sete antífonas Ó, com minha bênção, meu afeto e meus votos ardentes de um santo Natal do Senhor!

 



Escrito por Pe. Henrique às 01h36
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   Veni, Emmanuel!

Apresento-lhe agora, caro Internauta, o mesmo hino, Veni, veni, Emmanuel, no original latino, numa interpretação colossal do coro da Catedral de Paderborn, Alemanha. A fé cristã, realmente, inspira coisas estupendas, sinais de Deus neste mundo! Delicie-se!

 



Escrito por Pe. Henrique às 01h32
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   Veni, veni Emmanuel!

Caro Internauta, durante os dias da Semana Santa do Natal, de 17 de dezembro a hoje, tive a alegria de partilhar com você as preciosas Antífonas Maiores do Advento, as chamadas Antífonas Ó. Com elas rezamos, desejamos e adoramos o Messias tão esperado, prometido por Deus a nossos pais do Antigo Testamento.

Agora, neste 24, terminadas as Antífonas, ofereço-lhe o estupendo hino latino do século XII, Veni, veni, Emmanuel. Trata-se de um belíssimo resumo dessas antífonas sobre as quais acabamos de meditar (observe que cada estrofe traz um dos títulos dados ao Messias). Apresento-lhe o texto latino, uma minha tradução meio livre em português e uma comovente interpretação em inglês.

Desde já desejo-lhe com todo o meu afeto no Senhor um santíssimo Natal. Sugiro que você releia neste blog os textos que propus nos anos passados. É só ir no histórico e clicar sobre as datas próximas ao Natal...

Veni, Veni Emmanuel - texto original latino

VENI, veni, Emmanuel
captivum solve Israel,
qui gemit in exsilio,
privatus Dei Filio.

Refrão: Gaude! Gaude! Emmanuel,
nascetur pro te Israel! 

VENI, O Sapientia,
quae hic disponis omnia,
veni, viam prudentiae
ut doceas et gloriae. R.

VENI, veni, Adonai,
qui populo in Sinai
legem dedisti vertice
in maiestate gloriae. R.

VENI, O Iesse virgula,
ex hostis tuos ungula,
de spectu tuos tartari
educ et antro barathri. R.

VENI, Clavis Davidica,
regna reclude caelica,
fac iter tutum superum,
et claude vias inferum. R.

VENI, veni O Oriens,
solare nos adveniens,
noctis depelle nebulas,
dirasque mortis tenebras. R.

VENI, veni, Rex Gentium,
veni, Redemptor omnium,
ut salvas tuos famulos
peccati sibi conscios. R.

 

Ó vem, ó vem, Emanuel - texto em português

Ó vem, ó vem, Emanuel!
Redime o cativo Israel
Que geme em triste exílio e dor
Privado do Filho Redentor!

Exulta! Exulta! Eis o Emanuel
Nascido por ti, ó Israel!

Ó Sapiência, Autor do bem,
Em tua glória ao mundo vem
O teu caminho revelar
E a prudência nos ensinar.

Ó vem, ó vem sagrado Adonai!
Que em grande glória no Monte Sinai
Por entre nuvens como um rei
Nos deste, Justo, a santa Lei!

Ó vem, depressa Raiz de Jessé
E aos servos teus renova a fé;
Que possam o inferno dominar
E sobre a morte triunfar!

Vem, Chave de Davi, ó vem
E abre o céu de todo o bem!
Suprema glória nos darás
E o negro Inferno fecharás!

Ó vem, Oriente, iluminar
E nossa noite vem dissipar!
Da luz eterna esplendor,
Afasta as sombras do terror!

Ó vem, não tardes, Rei das Nações,
Vem Redentor dos corações!
Contigo a culpa se desfaz
E os teus servos encontram a paz!

 



Escrito por Pe. Henrique às 01h15
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   O Emmanuel!

  

Ó Emanuel,

nosso Rei e Legislador,

esperança e Salvador das nações;

vinde salvar-nos, Senhor nosso Deus!

 

 

Esta última das Antífonas Ó é inspirada em Isaías e tem o sabor do Evangelho segundo Mateus, os dois livros da Escritura nos quais aparece o título de Emanuel para Jesus.

Ele é Rei porque é o Messias filho de Davi prometido pelo Senhor Deus e anunciado pelos profetas de Israel; ele é o Legislador porque é o novo Moisés, o verdadeiro Moisés, tema muito presente no Evangelho de Mateus (aí Jesus faz cinco discursos, como Moisés é o "autor" dos cinco livros da Torá; Jesus fala no monte, como Moisés, no monte recebeu a Lei).

Mas, sobretudo, coroando todos os títulos dados ao Senhor que vem, a Antífona refere-se ao Cristo como "Senhor nosso Deus". Eis o que ele é para nós, eis o motivo da esperança que nele temos e da alegria pelo seu nascimento! "Esperança e Salvador das Nações" - esperança e Salvador de toda a humanidade: é isto, essencialmente, que Aquele que a Virgem concebeu é para a fé cristã!

Que fique no nosso coração a certeza expressa na frase formada pela primeira letra de cada antífona, tomada de trás para frente: Emanuel, Rei das Nações, Oriente, Chave de Davi, Raiz de Jessé, Adonai, Sabedoria - ERO CRAS, isto é "Amanhã eu virei"!

 

 

Vem, Senhor Jesus, Deus fiel, e confirma o teu rebanho na paz! Maranatha! Amém!

Feliz Natal a todos!

Que o Santo Emanuel, nosso Messias, encha de plenitude a nossa vida!



Escrito por Pe. Henrique às 00h13
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   O Rex Gentium!

  

Ó Rei das nações

 

e objeto de seus desejos,

 

Pedra angular

 

que reunis em vós judeus e gentios:

 

vinde e salvai o homem que do limo formastes!

 

 

 Rei das Nações, Rei das Gentes - assim a Antífona deste dia 22 aclama o Messias que virá. Várias vezes os profetas anunciaram que o Messias seria rei descendente de Davi. Mas, sobretudo com o Profeta Isaías (cf. 11,10) e com os Salmos (cf. 71/72) firmou-se profundamente a convicção de que o seu reinado não se limitaria somente a Israel: ele reinaria sobre todas as nações e nele toda a humanidade seria salva; ele seria luz para iluminar as nações e glória do povo de Deus, Israel (cf. Lc 2,29-32)! Eis alguns versículo do salmo 71/72 que ilustram bem a realeza universal do Messias:

 Ó Deus, concede ao rei teu julgamento
e a tua justiça ao filho do rei;
que ele governe teu povo com justiça,
e teus pobres conforme o direito.

Com justiça
ele julgue os pobres do povo,
salve os filhos do indigente
e esmague seus opressores.

Que ele dure sob o sol e a lua,
por geração de gerações;
que ele desça como chuva sobre a erva roçada,
como chuvisco que irriga a terra.

Que em seus dias floresça a justiça
e muita paz até ao fim das luas;
que ele domine de mar a mar,
desde o rio até aos confins da terra.

Os reis de Társis e das ilhas
vão trazer-lhe ofertas;
todos os reis se prostrarão diante dele,
as nações todas o servirão.

Que orem por ele continuamente!

Que o bendigam todo o dia!
Que seu nome permaneça para sempre,
e sua fama dure sob o sol!
Nele sejam abençoadas as raças todas da terra,
e todas as nações o proclamem feliz!

Assim, Aquele que o ventre da Virgem gerou não somente realiza as profecias de Israel, mas é também o Desejado dos povos, aquele que satisfaz os melhores desejos e sonhos da humanidade toda. A ele todos os povos virão! São Mateus diz isso com a narrativa dos Magos, que vêm de longe seguindo a estrela do Rei dos judeus (cf. Mt 2,1-12); São João exprime essa mesma idéia com os gregos que pedem para ver Jesus (cf. Jo 12,20ss); e São Paulo fala do Mistério escondido nos séculos e agora revelado (cf. Ef 3,1ss): em Cristo, os pagãos também são chamados à salvação. Por isso mesmo, o Apóstolo chama Jesus de pedra angular - a pedra que une as duas colunas do arco e as sustenta. Cristo é pedra angular porque une judeus e gentios num só novo povo: a Igreja, Israel da nova e eterna Aliança, cumprimento das profecias de Israel e dos desejos dos pagãos (cf. Ef 2,11ss).

Finalmente, ante tão grande Messias, a Antífona termina com uma súplica surpreendente, bela e profunda: "Vinde e salvai o homem que do limo formastes". Que significa isso? Que esse Rei dos povos é também o criador e o modelo de todo homem: ele nos formou do pó da terra, de modo que trazemos em nós a sua imagem e quanto mais parecermos com ele, mais seremos nós mesmos!



Escrito por Pe. Henrique às 01h34
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   O Oriens!

  

Ó Oriente,

 esplendor da luz eterna e sol de justiça!

Vinde e iluminai

os que estão sentados nas trevas

e à sombra da morte!

 

 

 

 Toda esta Antífona do dia 21 de dezembro é inspirada no Benedictus, o Cântico de Zacarias (cf. Lc 1,68-79). Aí está dito que o Messias é o Astro das alturas que vem "iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte".

É um tema recorrente na Sagrada Escritura aquele do Messias como portador da luz, iniciador do Dia eterno, sem fim, Sol nascente que dissipa a noite deste mundo. Baste recordar algumas passagens bíblicas:

1. Malaquias profeta, falando dos dias do Messias, afirma: "Para vós que temeis o meu nome, brilhará o sol de justiça, que tem a cura em seus raios" (Ml 3,20).

2. Também Balaão pensa no Messias referindo-se a um astro que surgirá em Israel: "Eu o vejo - mas não agora, eu o contemplo - mas não de perto: Um astro procedente de Jacó se torna chefe, um cetro se levanta, procedente de Israel" (Nm 24,17).

3. Também a impressionante palavra de Isaías profeta: "O povo que andava nas trevas viu uma grande luz, uma luz raiou para os que habitavam uma terra sombria como a da morte. Multiplicaste o povo, deste-lhe grande alegria; eles alegram-se na tua presença como se alegram os ceifadores na ceifa, como se regozijam os que repartem os despojos. Porque o jugo que pesava sobre eles, a canga posta sobre seus ombros, o bastão do opressor, tu os despedaçaste como no dia de Madiã. Com efeito, toda a bota que pisa ruidosamente no chão, toda a veste que se revolve no sangue serão queimadas, serão devoradas pelas chamas.

Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, ele recebeu o poder sobre seus ombros, e lhe foi dado este nome: Conselheiro-maravilhoso, Deus-forte, Pai-eterno, Príncipe-da-paz (Is 9,1-5).

A antífona de hoje recorda também que Cristo, Sabedoria de Deus, é esplendor da luz divina: ele traz em si o brilho de Deus, pois é Deus como o Pai: A Sabedoria um eflúvio do poder de Deus, uma emanação puríssima da gloria do Onipotente, pelo que nada de impuro nela se introduz, pois ela é um reflexo da luz eterna, um espelho nítido da atividade de Deus e uma imagem de sua bondade. Sendo uma só, tudo pode; sem nada mudar, tudo renova e, entrando nas almas boas de cada geração, prepara os amigos de Deus e os profetas; pois Deus ama só quem habita com a Sabedoria. Ela é mais bela que o sol, supera todas as constelações: comparada à luz do dia, sai ganhando, pois a luz cede lugar à noite, ao passo que sobre a Sabedoria não prevalece o mal" (Sb 7,25-30). 

Por tudo isso, é muito belo o título de Oriente, dado a Cristo. O oriente é a direção na qual nasce a luz, é o lado, o berço da luz, do início de um novo dia.

Chamar Cristo de Oriente é chamá-lo de novo Dia, nova Luz, início e causa duma nova era. De fato, ele é o Dia sem fim, aquele que inicia um novo tempo, quando já não mais haverá trevas, pois sua luz é divina, já que ele vem do Pai e é puro reflexo da sua divindade. Por isso mesmo, os primeiros cristãos tinham o costume de rezar voltados para o Oriente. Na Missa, tanto o sacerdote quanto o povo celebravam os santos mistérios voltados para o Oriente, como quem vai ao encontro do Cristo que vem como Sol de justiça, como Dia da glória sem fim, quando o tempo entrará na eternidade, as trevas cederão à luz e a história desembocará na glória. Daí, também, o próprio verbo "orientar-se": voltar-se para o oriente, para o rumo correto, para Cristo!

Na vida, caminhar ao encontro de Cristo Sol nascente, é "orientar-se"; dele afastar-se, dando-lhes as costas, é perder a "orientação", é voltar-se para o ocidente, isto é, para as trevas. Na Igreja antiga, em algumas regiões, os catecúmenos adultos, antes do Batismo, voltavam-se para o ocidente - lado no qual o sol se põe e as trevas se originam - e diziam, depois de cuspirem: "Eu renuncio ao Diabo!" Em seguida, voltavam-se para o oriente, abriam os braços e exclamavam: "Eu adiro a Cristo!"

Oriente é também o "lugar" no qual o Senhor Deus plantou o jardim do paraíso e aí colocara o homem (cf. Gn 2,8). Nosso verdadeiro paraíso, nosso verdadeiro jardim, lugar da nossa salvação definitiva, no qual toda a humanidade pode ser colocada e plenificada - paraíso perdido pelo pecado e reencontrado na Encarnação do Verbo - é o Cristo nosso Senhor. O jardim definitivo, que o homem jamais perderá, é o próprio Cristo, que nos acolhe para as núpcias eternas e nos dá como fruto da árvore da vida, árvore de sua cruz, seu próprio Corpo e Sangue, por nós assumidos em Maria Virgem no mistério da Encarnação. Tudo isto é evocado nesta antífona. Por isso mesmo, o final tão confiante: que o Santo Messias ilumine com a graça da sua divindade bendita as trevas de nossa existência!

  



Escrito por Pe. Henrique às 02h47
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